21 de junho de 2012

Portugueses todos os dias


Eu gosto dos que são portugueses todos os dias, todo o ano.
Daqueles portugueses que se levantam para ceder o lugar a quem está mais cansado, pelo tempo, do que eles. Gosto dos portugueses que ajudam quem precisa a atravessar a passadeira. Gosto de portugueses que devolvem aquilo que encontram perdido e não lhes pertence. Gosto de portugueses que defendem quem precisa. Gosto dos portugueses que cumprem os seus deveres cívicos, conscientes de que é o melhor para o seu país. Gosto dos portugueses que dão sorrisos aos outros, que sabem respeitar os outros e gosto ainda mais dos que dão parte do seu tempo, desinteressadamente, para ajudar os outros.

Não gosto dos portugueses que não são nada disto e depois se acham mais portugueses do que todos os outros porque vêem um jogo de futebol em que torcem pela selecção nacional.

Mas sim, gosto ainda mais dos portugueses que são verdadeiramente portugueses e torcem também por Portugal não só no futebol, mas em todas as modalidades.

Sejam portugueses e não é só a selecção que vai longe. É Portugal também.

18 de junho de 2012

Temos tanto


(Não quero generalizar, não digo que não tenhamos a outra parte, digo apenas que também temos esta, e em grande número)

Temos crianças mal-educadas. 
Temos pais que se desresponsabilizam da má-educação dos filhos e tiram satisfações com os professores.
Temos professores que não se interessam pelo futuro dos alunos e olham para a profissão como uma forma de ganhar dinheiro e não de educar, de instruir pessoas. Há até os que comentam “eu não estou para me chatear, se não quiserem aprender o problema é deles”. 
Temos directores das escolas que querem acreditar que está tudo bem porque procurar o problema dá trabalho.
Temos políticos corruptos, temos representantes dos maiores grupos económicos corruptos. 
Temos concursos públicos corrompidos, parcerias sujas e acordos manhosos. 
Temos desportistas, árbitros e dirigentes corruptos.
Temos uma crescente taxa de criminalidade violenta. 
Temos a falta de respeito e de reconhecimento pela autoridade das forças policiais. 
Mas depois também temos os polícias corruptos e criminosos.
Temos os futuros juízes a copiar no exame da Ordem, temos todos os estudantes a copiar nos exames, mesmo os que um dia vão ter as nossas vidas nas suas mãos.
Temos funcionários públicos que tratam os utentes como se lhes tivessem a fazer um favor, como se só os tivessem a estorvar. 
Temos desempregados que não estão desempregados e ganham dois ordenados. 
Temos desempregados que estão desempregados porque não querem trabalhar.
Temos fiscais que deveriam verificar a veracidade das necessidades das pessoas, mas que têm medo ou acabam corrompidos.
Temos pessoas que não têm emprego porque não têm experiência. 
Temos pessoas que não têm emprego porque têm mais de 40 anos.
Temos pessoas que precisam dos subsídios da Segurança Social para viver. 
Temos uma Segurança Social que se engana muito e não informa os cortes dos subsídios.
Temos patrões que preferem comprar Mercedes a pagar o ordenado aos funcionários.
Temos funcionários que não sabem reconhecer o esforço dos patrões quando as coisas correm mal.
Temos dirigentes que não sabem o que é trabalhar, que não sabem o que é começar de baixo e evoluir por mérito na carreira, a mandar-nos trabalhar e merecer o nosso lugar.
Temos políticos a deitar as culpas uns aos outros por isto estar como está...

Há um problema transversal a tudo isto. O problema não é o que temos, mas antes aquilo que não temos: valores! Nesta terra já não há valores morais. A honra, a honestidade, a dignidade e o respeito acabarão por cair em desuso e desconfio que no próximo acordo ortográfico acabem mesmo banidos do dicionário português.

Isto resolve-se se fizerem questão de reavivar os valores morais, se fizerem questão de os pôr em prática todos os dias e se fizerem com que sejam exemplo para os vossos filhos e todos os que vos são próximos. Porque se o fizerem, vão ter mais vontade de reclamar quando virem alguém a ignorar estes valores.

31 de maio de 2012

A vida tem mais cor.

o comilãoAs grandes chatices da minha vida agora são minorcas. Nas noites que mais me incomodava, aquelas noites em que decidia choramingar sem que eu percebesse porquê, deixava-me bastante irritada e a pensar que acordar assim é uma verdadeira chatice. Mas quando, entre o choro, sem eu contar, me dava um sorriso, a irritação fugia a sete pés.
Nessas alturas eu comecei a perceber o verdadeiro sentido de ser mãe. Por muitos problemas que um filho nos dê, por muito que nos privemos do sono, de saídas, de tempo para nós, ele compensa-nos da maneira mais simples e honesta que poderia compensar: Amando-nos.
Os dias nunca foram maus, mas agora, quando chega a hora de ir buscar o pimpolho à creche, o dia fica óptimo. Ver aquele sorriso maroto e ouvir aquelas gargalhadas ao fundo do corredor quando vê a mamã, é um mimo! Sim, as mães também são extremamente mimadas pelos seus bebés. O meu, pela quantidade de vezes que me esborracha contra ele e me tenta ferrar as bochechas deve ter aquele sentimento que nós temos por eles:  "é que só apetece trincar!".
Depois há as bofetadas. As bofetadas que ele dá a toda a gente em plenas gargalhadas e para poder desgastar as suas pilhas duracell.
Os dentinhos a furar, uns atrás dos outros são um espectáculo. O seu interesse pelos comandos da televisão, pelos telemóveis e pelos computadores sobrepõe-se ao interesse pelos brinquedos de mil e uma cores e texturas, de musiquinhas de todos os tipos. Mas quando ele começa a "falar" mais alto do que nós, intermitentemente, é simplesmente delicioso. Se essa mania continuar, poderei finalmente dizer que em alguma coisa sai à mãe.
Aquelas mãozinhas, aqueles pezinhos, todo ele um senhor em ponto pequeno, extremamente fofinho, facilmente me põe a suspirar.

Perguntem-me se penso em como gostaria de continuar a dormir até à hora que me apetecesse, se penso em como gostaria de ter tempo só para mim e tomar decisões baseando-me apenas no que é melhor para mim, basicamente, se penso em como gostaria de me poder pôr em primeiro lugar. Às vezes penso. E sim, às vezes penso que era bom que isso ainda assim fosse. Mas é MUITO melhor ter o meu filho na minha vida.
Uma verdadeira delícia! Um amor de perdição!

4 de abril de 2012

Agora é medo.

Há pessoas que têm um enorme medo de morrer. Pessoas que se arrepiam só de pensar nessa possibilidade mais do que inevitável. A maioria das pessoas tem esse medo, mas eu não tinha.
Não tinha porque eu achava que estava pronta para morrer. Não porque não tivesse planos ou sonhos ou objectivos, não era nada disso. Tinha-os, sempre os tive e não eram poucos. Mas não tinha medo da morte porque, todos os dias, fazia o que achava correcto, o que a minha consciência me aconselhava e deixava-a sossegada.
Por isso, eu estava preparada para morrer a qualquer momento. Deixaria muitos planos suspensos, muitos sonhos por concretizar, muitos sorrisos e gargalhadas por dar, mas não levaria pesos na consciência.

Mas o medo chegou. O meu medo chegou contigo. O meu medo chegou com a responsabilidade que tenho pela tua existência. A tua dependência prende-me a este mundo e aterroriza-me a possibilidade de teres de trilhar todos estes mistérios sem mim. A minha missão és tu. Eu tenho de te guiar, de te iluminar, de te proteger. E é o que eu mais quero. Os meus sonhos não morreram quando tu nasceste, apenas alteraste as minhas prioridades e penso nisso a sorrir.
É aterrorizador o medo que sinto de poder ser privada de te ver crescer, de passar um dia sem ver esse sorriso maravilhoso. Fico aterrorizada com a possibilidade de não poder partilhar contigo os valores que gostava que tivesses sempre presentes na tua vida, a possibilidade de não te mostrar como amar incondicionalmente e de te fazer sentir a pessoa mais amada neste mundo.
Tenho medo que cresças sem mim. Não é por ser extraordinária ou melhor do que alguém, é por ser tua mãe. As mães são insubstituíveis.
Não olho para ti como outro Ser. Não consigo. Mas não te vejo como um pedaço de mim. Vejo-me como um pedaço de ti.

Afinal não posso dizer que conheço o Amor Supremo. Não posso porque a cada dia que passa eu amo-te ainda mais. Os sorrisos, as gargalhadas, as palminhas, o palrar, os passinhos, todas as tuas brincadeiras fazem crescer o Amor que considerava ser o Supremo. Dia após dia esse Amor cresce de forma incontrolável. E essa falta de controlo assusta-me. Jamais conseguirei espartilhar isto. Eu quero que este Amor te acompanhe para o resto da vida. Eu quero continuar a ser o teu escudo.
Agora tenho medo de morrer.

2 de fevereiro de 2012

Poupem o nosso dinheiro!

O Governo pede aos sindicatos para pensar no impacto que as greves têm na economia do país. Concordo. Mas peço ao Governo para pensar no impacto que as medidas de austeridade têm nas famílias portuguesas.

Contam-se pelos dedos, ou nem se contam, os políticos que já tiveram de fazer contas à vida para tentar pagar todas as suas despesas e manter um nível de vida aceitável e, por isso, não têm a noção do que isso é. Não compreendem as dificuldades nem o sofrimento de quem trabalha, de quem contribui para o desenvolvimento da economia, mas depois tem de calar a enorme frustração de não conseguir gerir a sua própria vida.

Gostava de ver os Senhores deputados a ter de optar por sardinhas para o jantar quando o que queriam comer era salmão. Gostava de os ver comer só carne de porco e frango, quando lhe apetecia um bife de vaca ou um cabrito assado. Eles não têm noção que estas escolhas estão presentes no dia-a-dia de quase todos os portugueses.

Quando pedem mais espírito de sacrifício aos portugueses, não se imaginam, eles próprios, a ter de vender o carro, que para muitos é um instrumento de trabalho, porque não conseguem pagar o seguro, o combustível e a prestação.
Quando lhe sugerem que façam poupanças, não imaginam que o dinheiro quase não lhes chega para pagar as despesas da casa, dos filhos, da escola. Não sabem o que é querer levar o filho a um médico especialista, mas não poder, porque não têm dinheiro para a consulta. Não sabem o que é sentir-se encurralados, sufocados e não ver nenhuma luz ao fundo do túnel.
Não sabem e ainda bem. Não desejamos essa sorte a toda a gente. Não sabem, mas falam como se soubessem. Falam como se ainda fossem um exemplo a seguir. O Senhor Presidente da República assim fala. E qualquer português seguiria o seu exemplo, todo contente.
De facto com os rendimentos que o Senhor Presidente da República tem, e teve ao longo da sua vida, só se fosse muito desgovernado é que não conseguia fazer "poupanças".

Eu não peço aos Senhores deputados para passarem pelas dificuldades acima inumeradas. Peço-lhes apenas que sejam sensatos e poupem o nosso dinheiro. Sejam conscientes e abdiquem de carros topo de gama, não aldrabem para receber ajudas de custo de que não precisam e façam o vosso trabalho. A avaliação de desempenho devia chegar ao parlamento. Tantos deputados para quê?

As rendas dos imóveis que a Ministra da Justiça quer renegociar (e bem), os "concursos" públicos com critérios incompreensíveis e escolhas inacreditáveis, as lista de materiais com preços absurdos, como as da Segurança Social que foram tornadas públicas pela SIC, os infindáveis "não é por isto que o Estado vai ficar pobre", foram o grão a grão que esvaziaram o papo da nossa galinha! E agora tiram o grão às famílias que precisam verdadeiramente dele.

Não gozem connosco. Temos estado quietos, mas um dia isto há-de acabar. Não brinquem com as nossas vidas muito menos com o futuro dos nossos filhos. Estou farta de ver quem trabalha a ser prejudicado e quem não faz nada, porque não quer, a receber RSI's altíssimos e a passear de Mercedes. Estou farta de ver quem realmente precisa a não receber ajuda nenhuma.

-Reduzam o número de deputados;
-Cortem nas vossas regalias;
-Averigúem a real situação das pessoas que recebem subsídios (o que não tem de ser cortar de imediato e esperar que as pessoas se queixem, depois de passar meses literalmente à rasca);
-Sejam verdadeiros gestores e façam com que as entidades públicas passem a ser auto-sustentáveis;
-Poupem o nosso dinheiro!


Estou completamente farta.

22 de dezembro de 2011

Caixa de recordações

As recordações de criança não ficam lá atrás. Nós estamos constantemente a chamar por elas. E mesmo as vivências mais azedas, acabam adocicadas.
Perceber as voltas que a vida dá, o que imaginamos que íamos ser no futuro e lembrar o que éramos na altura, é um exercício enriquecedor. Quando nos reencontramos com alguém que já pertenceu à nossa vida, acabamos por reviver esses tempos e eles acabam sempre mais coloridos do que foram na realidade, e muito mais ainda do que aquilo que achávamos que eles eram.
Nunca me apercebi, mas a minha infância foi doce. Mas apercebo-me frequentemente que a minha memória raramente falha, e que me lembro com estranha nitidez de muitos episódios. Às vezes emociono-me a recordar os tempos que já lá vão. Era tão bom se os pudéssemos voltar a viver, nem que fosse só alguns, nem que fosse só mais uma vez.
Eu quero que, para as outras pessoas, os episódios partilhados comigo sejam naturalmente doces e não porque estão no açucareiro que é a caixa das recordações. Quero poder contribuir para os sorrisos saudosos quando vemos "aquela" foto, quando reencontramos "aquele" caderno da escola, quando descobrimos "aquela" roupa.
Eu quero que a vida dos meus seja uma verdadeira tablete de chocolate no momento, e que seja um exagero de açucar ao recordar.
Está mesmo a chegar uma festa que guardamos sempre nas recordações. Então guardem coisas bonitas. A receita é não poupar na Alegria, nem no Carinho, nem no Amor. Depois é só usar a criatividade de cada um.

Boas recordações para todos!

14 de agosto de 2011

O verdadeiro Amor

Eu sempre ouvi dizer que o "Amor de Mãe" é algo inexplicável. Não sei bem porquê, mas parece que todas as mães sempre fizeram questão de reservar a experiência só para si. Agora que faço parte do "complô", vou tentar explicar o que, para mim, é antes incomparável.
O verdadeiro Amor é uma sensação maravilhosa. Sensação essa que os mais felizardos já puderam sentir e outros ainda mais sortudos conseguiram perpetuar por toda uma vida. Quando se ama, há algumas coisas que nos fazem sentir bem, que nos mostram que somos também amados. Sentir que a outra pessoa precisa de nós, que, de certa forma, a sua plena felicidade depende de nós, dá-nos uma sensação de bem-estar, de segurança. Pode até ser um pensamento um pouco egoísta, mas, por vezes, é o que nos mostra que o Amor é real, que é sincero.
Amar e ser amado é a plenitude do Ser. Pede-se honestidade, desejamos ser sempre amados com a mesma intensidade e com toda a sinceridade. Esperamos que a essência do Amor nunca se desvaneça numa relação.
Contudo, como infelizmente alguns também saberão, por vezes enganá-mo-nos. O Amor entre casais nunca é uma certeza absoluta.

Mas o que existe entre uma mãe e um filho é a concretização do verdadeiro Amor.

A necessidade, a dependência de um filho da sua mãe é a coisa mais genuína que existe. A forma como a reconhece apenas pelo cheiro é fantástica. A capacidade de reconhecimento da voz da mãe nos primeiros dias de vida é extraordinária.
Ser o conforto e o alimento de alguém é incomparável. Quando se é Mãe conhece-se, por fim, o que é o verdadeiro Amor em toda a sua essência e com toda a pureza. O bebé não finge precisar da mãe, o nosso filho ama-nos incondicionalmente. A forma como se apoia no nosso peito, como reage à nossa voz, como se acalma quando nos sente por perto é incomparável.
É incrível a forma como uma criança, cujo rosto acabámos de conhecer, uma criança que não consegue declarar-nos o sente por nós, consegue mostrá-lo tão honestamente e como consegue fazer com que a amemos como se tivéssemos já partilhado uma vida inteira. A dependência torna-se recíproca. A incapacidade de ouvir o choro do nosso filho sem sentir um aperto no peito, a forma como também nós nos reconfortamos com o mimo do nosso bebé, torna-nos dependentes.
Admiramos cada traço do rosto do nosso bebé. Vibramos com cada gesto, cada movimento novo. Acompanhamos a sua evolução e o seu crescimento e parecemos nós as crianças ao comover-nos com acontecimentos que deveriam ser normais. Mas para nós é tudo fantástico. Afinal de contas, aquele pequenino ainda há pouco estava dentro de nós. Este Amor é sim uma certeza.

Isto é o Amor de Mãe.