22 de Dezembro de 2011

Caixa de recordações

As recordações de criança não ficam lá atrás. Nós estamos constantemente a chamar por elas. E mesmo as vivências mais azedas, acabam adocicadas.
Perceber as voltas que a vida dá, o que imaginamos que íamos ser no futuro e lembrar o que éramos na altura, é um exercício enriquecedor. Quando nos reencontramos com alguém que já pertenceu à nossa vida, acabamos por reviver esses tempos e eles acabam sempre mais coloridos do que foram na realidade, e muito mais ainda do que aquilo que achávamos que eles eram.
Nunca me apercebi, mas a minha infância foi doce. Mas apercebo-me frequentemente que a minha memória raramente falha, e que me lembro com estranha nitidez de muitos episódios. Às vezes emociono-me a recordar os tempos que já lá vão. Era tão bom se os pudéssemos voltar a viver, nem que fosse só alguns, nem que fosse só mais uma vez.
Eu quero que, para as outras pessoas, os episódios partilhados comigo sejam naturalmente doces e não porque estão no açucareiro que é a caixa das recordações. Quero poder contribuir para os sorrisos saudosos quando vemos "aquela" foto, quando reencontramos "aquele" caderno da escola, quando descobrimos "aquela" roupa.
Eu quero que a vida dos meus seja uma verdadeira tablete de chocolate no momento, e que seja um exagero de açucar ao recordar.
Está mesmo a chegar uma festa que guardamos sempre nas recordações. Então guardem coisas bonitas. A receita é não poupar na Alegria, nem no Carinho, nem no Amor. Depois é só usar a criatividade de cada um.

Boas recordações para todos!

14 de Agosto de 2011

O verdadeiro Amor

Eu sempre ouvi dizer que o "Amor de Mãe" é algo inexplicável. Não sei bem porquê, mas parece que todas as mães sempre fizeram questão de reservar a experiência só para si. Agora que faço parte do "complô", vou tentar explicar o que, para mim, é antes incomparável.
O verdadeiro Amor é uma sensação maravilhosa. Sensação essa que os mais felizardos já puderam sentir e outros ainda mais sortudos conseguiram perpetuar por toda uma vida. Quando se ama, há algumas coisas que nos fazem sentir bem, que nos mostram que somos também amados. Sentir que a outra pessoa precisa de nós, que, de certa forma, a sua plena felicidade depende de nós, dá-nos uma sensação de bem-estar, de segurança. Pode até ser um pensamento um pouco egoísta, mas, por vezes, é o que nos mostra que o Amor é real, que é sincero.
Amar e ser amado é a plenitude do Ser. Pede-se honestidade, desejamos ser sempre amados com a mesma intensidade e com toda a sinceridade. Esperamos que a essência do Amor nunca se desvaneça numa relação.
Contudo, como infelizmente alguns também saberão, por vezes enganá-mo-nos. O Amor entre casais nunca é uma certeza absoluta.

Mas o que existe entre uma mãe e um filho é a concretização do verdadeiro Amor.

A necessidade, a dependência de um filho da sua mãe é a coisa mais genuína que existe. A forma como a reconhece apenas pelo cheiro é fantástica. A capacidade de reconhecimento da voz da mãe nos primeiros dias de vida é extraordinária.
Ser o conforto e o alimento de alguém é incomparável. Quando se é Mãe conhece-se, por fim, o que é o verdadeiro Amor em toda a sua essência e com toda a pureza. O bebé não finge precisar da mãe, o nosso filho ama-nos incondicionalmente. A forma como se apoia no nosso peito, como reage à nossa voz, como se acalma quando nos sente por perto é incomparável.
É incrível a forma como uma criança, cujo rosto acabámos de conhecer, uma criança que não consegue declarar-nos o sente por nós, consegue mostrá-lo tão honestamente e como consegue fazer com que a amemos como se tivéssemos já partilhado uma vida inteira. A dependência torna-se recíproca. A incapacidade de ouvir o choro do nosso filho sem sentir um aperto no peito, a forma como também nós nos reconfortamos com o mimo do nosso bebé, torna-nos dependentes.
Admiramos cada traço do rosto do nosso bebé. Vibramos com cada gesto, cada movimento novo. Acompanhamos a sua evolução e o seu crescimento e parecemos nós as crianças ao comover-nos com acontecimentos que deveriam ser normais. Mas para nós é tudo fantástico. Afinal de contas, aquele pequenino ainda há pouco estava dentro de nós. Este Amor é sim uma certeza.

Isto é o Amor de Mãe.

31 de Dezembro de 2010

Feliz Ano Novo

Para 2011 não desejo mais do que desejo todos os dias.


Não em 2011 mas antes todos os dias das vossas vidas, façam sempre o que vos parece mais acertado, procurem motivos para sorrir, ou melhor, criem-nos.

Não baixem os braços perante dificuldades, respirem fundo e dêem um salto maior que o tamanho do obstáculo.Todos os dias contam e o que está para trás, se não servir para mais, serve para aprender. Tirem o melhor de tudo.


Feliz Ano Novo*

3 de Novembro de 2010

Uma criança que fala como se fosse a nossa consciência

Vale a pena ouvir este discurso, reprimenda ou o que quiserem chamar.

Vale MESMO a pena pensar nisto.

6 de Outubro de 2010

Quero ser grande!

- Nunca mais sou grande! Estou farta que mandem em mim. Quero fazer o que me apetece!

- Quando fores grande, o tempo vai passar a correr e vais querer voltar a ser criança, mas já não vais poder...

Lembrar-me-ei para sempre destes diálogos. Irei tê-los novamente, mas com o papel trocado. Como eu não compreendia, também não me vão compreender. Mas como, agora, eu percebo, também um dia irão perceber...

4 de Outubro de 2010

Heterónimos em mim

Já fui Álvaro de Campos, hoje sou Ricardo Reis, mas anseio tornar-me em Alberto Caeiro.

1 de Outubro de 2010

Porto real

Este é o Porto que dói, o Porto que não se gosta, mas o Porto que se nos esbarra sempre que vamos ao Porto. É o Porto que nos incomoda, que nos toca na Alma e nos faz sentir impotentes. É o Porto que nos acorda... E é o Porto real.



Por um músico (e poeta) genial.