2 de fevereiro de 2012

Poupem o nosso dinheiro!

O Governo pede aos sindicatos para pensar no impacto que as greves têm na economia do país. Concordo. Mas peço ao Governo para pensar no impacto que as medidas de austeridade têm nas famílias portuguesas.

Contam-se pelos dedos, ou nem se contam, os políticos que já tiveram de fazer contas à vida para tentar pagar todas as suas despesas e manter um nível de vida aceitável e, por isso, não têm a noção do que isso é. Não compreendem as dificuldades nem o sofrimento de quem trabalha, de quem contribui para o desenvolvimento da economia, mas depois tem de calar a enorme frustração de não conseguir gerir a sua própria vida.

Gostava de ver os Senhores deputados a ter de optar por sardinhas para o jantar quando o que queriam comer era salmão. Gostava de os ver comer só carne de porco e frango, quando lhe apetecia um bife de vaca ou um cabrito assado. Eles não têm noção que estas escolhas estão presentes no dia-a-dia de quase todos os portugueses.

Quando pedem mais espírito de sacrifício aos portugueses, não se imaginam, eles próprios, a ter de vender o carro, que para muitos é um instrumento de trabalho, porque não conseguem pagar o seguro, o combustível e a prestação.
Quando lhe sugerem que façam poupanças, não imaginam que o dinheiro quase não lhes chega para pagar as despesas da casa, dos filhos, da escola. Não sabem o que é querer levar o filho a um médico especialista, mas não poder, porque não têm dinheiro para a consulta. Não sabem o que é sentir-se encurralados, sufocados e não ver nenhuma luz ao fundo do túnel.
Não sabem e ainda bem. Não desejamos essa sorte a toda a gente. Não sabem, mas falam como se soubessem. Falam como se ainda fossem um exemplo a seguir. O Senhor Presidente da República assim fala. E qualquer português seguiria o seu exemplo, todo contente.
De facto com os rendimentos que o Senhor Presidente da República tem, e teve ao longo da sua vida, só se fosse muito desgovernado é que não conseguia fazer "poupanças".

Eu não peço aos Senhores deputados para passarem pelas dificuldades acima inumeradas. Peço-lhes apenas que sejam sensatos e poupem o nosso dinheiro. Sejam conscientes e abdiquem de carros topo de gama, não aldrabem para receber ajudas de custo de que não precisam e façam o vosso trabalho. A avaliação de desempenho devia chegar ao parlamento. Tantos deputados para quê?

As rendas dos imóveis que a Ministra da Justiça quer renegociar (e bem), os "concursos" públicos com critérios incompreensíveis e escolhas inacreditáveis, as lista de materiais com preços absurdos, como as da Segurança Social que foram tornadas públicas pela SIC, os infindáveis "não é por isto que o Estado vai ficar pobre", foram o grão a grão que esvaziaram o papo da nossa galinha! E agora tiram o grão às famílias que precisam verdadeiramente dele.

Não gozem connosco. Temos estado quietos, mas um dia isto há-de acabar. Não brinquem com as nossas vidas muito menos com o futuro dos nossos filhos. Estou farta de ver quem trabalha a ser prejudicado e quem não faz nada, porque não quer, a receber RSI's altíssimos e a passear de Mercedes. Estou farta de ver quem realmente precisa a não receber ajuda nenhuma.

-Reduzam o número de deputados;
-Cortem nas vossas regalias;
-Averigúem a real situação das pessoas que recebem subsídios (o que não tem de ser cortar de imediato e esperar que as pessoas se queixem, depois de passar meses literalmente à rasca);
-Sejam verdadeiros gestores e façam com que as entidades públicas passem a ser auto-sustentáveis;
-Poupem o nosso dinheiro!


Estou completamente farta.

22 de dezembro de 2011

Caixa de recordações

As recordações de criança não ficam lá atrás. Nós estamos constantemente a chamar por elas. E mesmo as vivências mais azedas, acabam adocicadas.
Perceber as voltas que a vida dá, o que imaginamos que íamos ser no futuro e lembrar o que éramos na altura, é um exercício enriquecedor. Quando nos reencontramos com alguém que já pertenceu à nossa vida, acabamos por reviver esses tempos e eles acabam sempre mais coloridos do que foram na realidade, e muito mais ainda do que aquilo que achávamos que eles eram.
Nunca me apercebi, mas a minha infância foi doce. Mas apercebo-me frequentemente que a minha memória raramente falha, e que me lembro com estranha nitidez de muitos episódios. Às vezes emociono-me a recordar os tempos que já lá vão. Era tão bom se os pudéssemos voltar a viver, nem que fosse só alguns, nem que fosse só mais uma vez.
Eu quero que, para as outras pessoas, os episódios partilhados comigo sejam naturalmente doces e não porque estão no açucareiro que é a caixa das recordações. Quero poder contribuir para os sorrisos saudosos quando vemos "aquela" foto, quando reencontramos "aquele" caderno da escola, quando descobrimos "aquela" roupa.
Eu quero que a vida dos meus seja uma verdadeira tablete de chocolate no momento, e que seja um exagero de açucar ao recordar.
Está mesmo a chegar uma festa que guardamos sempre nas recordações. Então guardem coisas bonitas. A receita é não poupar na Alegria, nem no Carinho, nem no Amor. Depois é só usar a criatividade de cada um.

Boas recordações para todos!

14 de agosto de 2011

O verdadeiro Amor

Eu sempre ouvi dizer que o "Amor de Mãe" é algo inexplicável. Não sei bem porquê, mas parece que todas as mães sempre fizeram questão de reservar a experiência só para si. Agora que faço parte do "complô", vou tentar explicar o que, para mim, é antes incomparável.
O verdadeiro Amor é uma sensação maravilhosa. Sensação essa que os mais felizardos já puderam sentir e outros ainda mais sortudos conseguiram perpetuar por toda uma vida. Quando se ama, há algumas coisas que nos fazem sentir bem, que nos mostram que somos também amados. Sentir que a outra pessoa precisa de nós, que, de certa forma, a sua plena felicidade depende de nós, dá-nos uma sensação de bem-estar, de segurança. Pode até ser um pensamento um pouco egoísta, mas, por vezes, é o que nos mostra que o Amor é real, que é sincero.
Amar e ser amado é a plenitude do Ser. Pede-se honestidade, desejamos ser sempre amados com a mesma intensidade e com toda a sinceridade. Esperamos que a essência do Amor nunca se desvaneça numa relação.
Contudo, como infelizmente alguns também saberão, por vezes enganá-mo-nos. O Amor entre casais nunca é uma certeza absoluta.

Mas o que existe entre uma mãe e um filho é a concretização do verdadeiro Amor.

A necessidade, a dependência de um filho da sua mãe é a coisa mais genuína que existe. A forma como a reconhece apenas pelo cheiro é fantástica. A capacidade de reconhecimento da voz da mãe nos primeiros dias de vida é extraordinária.
Ser o conforto e o alimento de alguém é incomparável. Quando se é Mãe conhece-se, por fim, o que é o verdadeiro Amor em toda a sua essência e com toda a pureza. O bebé não finge precisar da mãe, o nosso filho ama-nos incondicionalmente. A forma como se apoia no nosso peito, como reage à nossa voz, como se acalma quando nos sente por perto é incomparável.
É incrível a forma como uma criança, cujo rosto acabámos de conhecer, uma criança que não consegue declarar-nos o sente por nós, consegue mostrá-lo tão honestamente e como consegue fazer com que a amemos como se tivéssemos já partilhado uma vida inteira. A dependência torna-se recíproca. A incapacidade de ouvir o choro do nosso filho sem sentir um aperto no peito, a forma como também nós nos reconfortamos com o mimo do nosso bebé, torna-nos dependentes.
Admiramos cada traço do rosto do nosso bebé. Vibramos com cada gesto, cada movimento novo. Acompanhamos a sua evolução e o seu crescimento e parecemos nós as crianças ao comover-nos com acontecimentos que deveriam ser normais. Mas para nós é tudo fantástico. Afinal de contas, aquele pequenino ainda há pouco estava dentro de nós. Este Amor é sim uma certeza.

Isto é o Amor de Mãe.

31 de dezembro de 2010

Feliz Ano Novo

Para 2011 não desejo mais do que desejo todos os dias.


Não em 2011 mas antes todos os dias das vossas vidas, façam sempre o que vos parece mais acertado, procurem motivos para sorrir, ou melhor, criem-nos.

Não baixem os braços perante dificuldades, respirem fundo e dêem um salto maior que o tamanho do obstáculo.Todos os dias contam e o que está para trás, se não servir para mais, serve para aprender. Tirem o melhor de tudo.


Feliz Ano Novo*

3 de novembro de 2010

6 de outubro de 2010

Quero ser grande!

- Nunca mais sou grande! Estou farta que mandem em mim. Quero fazer o que me apetece!

- Quando fores grande, o tempo vai passar a correr e vais querer voltar a ser criança, mas já não vais poder...

Lembrar-me-ei para sempre destes diálogos. Irei tê-los novamente, mas com o papel trocado. Como eu não compreendia, também não me vão compreender. Mas como, agora, eu percebo, também um dia irão perceber...

4 de outubro de 2010

Heterónimos em mim

Já fui Álvaro de Campos, hoje sou Ricardo Reis, mas anseio tornar-me em Alberto Caeiro.