Se eu pudesse trincar a terra toda
E sentir-lhe o paladar,
Seria mais feliz um momento ...
Mas eu nem sempre quero ser feliz.
É preciso ser de vez em quando infeliz
Para se poder ser natural...
Nem tudo é dias de sol,
E a chuva, quando falta muito, pede-se.
Por isso tomo a infelicidade com a felicidade
Naturalmente, como quem não estranha
Que haja montanhas e planícies
E que haja rochedos e erva ...
O que é preciso é ser-se natural e calmo
Na felicidade ou na infelicidade,
Sentir como quem olha,
Pensar como quem anda,
E quando se vai morrer, lembrar-se de que o dia morre,
E que o poente é belo e é bela a noite que fica...
Assim é e assim seja ...
Alberto Caeiro, in "O Guardador de Rebanhos - Poema XXI"
Heterónimo de Fernando Pessoa
...porque o amor não se cala, eterno e imenso sentimento da alma...
15 de maio de 2009
14 de maio de 2009
Mulher-objecto
Custa-me imenso ver projectos de mulheres a transformarem-se em objectos. Digo projectos de mulheres porque Mulheres de verdade jamais assumiriam determinados comportamentos, ou melhor, os projectos de mulheres de que falo nem assumem qualquer tipo de comportamento, deixam que os outros decidam o que devem ou não assumir.
Passo a explicar.
Outrora, as mulheres eram vistas como seres inferiores e eram reduzidas a certas tarefas e limitadas a determinados comportamentos. Não podiam emancipar-se nem evoluir intelectualmente. Eram guardadas como um objecto que a família e, mais tarde, o marido possuiam. Não tinham direito a intervir na sociedade e, por vezes, nem nas decisões familiares.
Foram precisos muitos anos, muitas mortes, muito sofrimento para que as Mulheres conseguissem, de facto, emancipar-se. Sim, acredito plenamente nessa emancipação.
As mulheres destacaram-se em diversas àreas, preenchem a maioria das vagas das universidades, acumulam funções familiares e profissionais, cada vez mais exigentes, mostram que têm força suficiente para lidar com o Mundo.
A minha pergunta: Como podem os homens reconhecer a emancipação feminina, como podem eles respeitar as Mulheres, se os projectos de mulheres são os primeiros a desrespeitar?
Estou cansada de ver mulheres-objecto a vaguear por revistas, por ecrãs de televisão. O que as faz andar lá? O corpo! Não a inteligência, não a vocação, mas sim o corpo. A parte material dos seus seres, é o que as faz mover. Nem poderiam mover-se com outra coisa, são ocas.
Quando uma mulher perde o total respeito por si e se deixa materializar nas mãos do mundo, por saber que o corpo é a única coisa que tem e vive bem com isso, para mim, deixa de ser mulher.
Vivem subjugadas, voluntariamente, à vontade dos outros. São um simples objectos que passa de mão em mão (e não só) sem reclamar, sem sequer pensar se é o que realmente querem.
Nem vontade têm...
Não falo das mulheres que assumem algo porque têm consciência do que querem. Não. Falo daquelas que nunca usaram a cabeça. Daquelas que sabem que não passam de um corpo e que aceitam. Daquelas que nunca tentaram ser mais do que uma imagem.
Sejam bonitas, sim. Mas nunca queiram ser lembradas como "a gaja boa". Queiram ter um nome. Olhem um exemplo: "A Silvia Alberto, aquela apresentadora de televisão fantástica e que também é muito gira..."
Que engraçado, ela vagueia pela televisão, mas nem por isso ouvem falar dela com a leviandade e materialização com que ouvem das meninas das capas da FHM ou suas semelhantes, pois não? Isso acontece porque ela não usou o corpo para chegar lá!
Agora, ela até podia aparecer na capa de uma revista masculina, mas continuaria a ser associada, antes de qualquer imagem, ao seu intelecto.
Queiram ser alguém. Honrem quem lutou. Não se lembrem da liberdade só quando não a têm.
Passo a explicar.
Outrora, as mulheres eram vistas como seres inferiores e eram reduzidas a certas tarefas e limitadas a determinados comportamentos. Não podiam emancipar-se nem evoluir intelectualmente. Eram guardadas como um objecto que a família e, mais tarde, o marido possuiam. Não tinham direito a intervir na sociedade e, por vezes, nem nas decisões familiares.
Foram precisos muitos anos, muitas mortes, muito sofrimento para que as Mulheres conseguissem, de facto, emancipar-se. Sim, acredito plenamente nessa emancipação.
As mulheres destacaram-se em diversas àreas, preenchem a maioria das vagas das universidades, acumulam funções familiares e profissionais, cada vez mais exigentes, mostram que têm força suficiente para lidar com o Mundo.
A minha pergunta: Como podem os homens reconhecer a emancipação feminina, como podem eles respeitar as Mulheres, se os projectos de mulheres são os primeiros a desrespeitar?
Estou cansada de ver mulheres-objecto a vaguear por revistas, por ecrãs de televisão. O que as faz andar lá? O corpo! Não a inteligência, não a vocação, mas sim o corpo. A parte material dos seus seres, é o que as faz mover. Nem poderiam mover-se com outra coisa, são ocas.
Quando uma mulher perde o total respeito por si e se deixa materializar nas mãos do mundo, por saber que o corpo é a única coisa que tem e vive bem com isso, para mim, deixa de ser mulher.
Vivem subjugadas, voluntariamente, à vontade dos outros. São um simples objectos que passa de mão em mão (e não só) sem reclamar, sem sequer pensar se é o que realmente querem.
Nem vontade têm...
Não falo das mulheres que assumem algo porque têm consciência do que querem. Não. Falo daquelas que nunca usaram a cabeça. Daquelas que sabem que não passam de um corpo e que aceitam. Daquelas que nunca tentaram ser mais do que uma imagem.
Sejam bonitas, sim. Mas nunca queiram ser lembradas como "a gaja boa". Queiram ter um nome. Olhem um exemplo: "A Silvia Alberto, aquela apresentadora de televisão fantástica e que também é muito gira..."
Que engraçado, ela vagueia pela televisão, mas nem por isso ouvem falar dela com a leviandade e materialização com que ouvem das meninas das capas da FHM ou suas semelhantes, pois não? Isso acontece porque ela não usou o corpo para chegar lá!
Agora, ela até podia aparecer na capa de uma revista masculina, mas continuaria a ser associada, antes de qualquer imagem, ao seu intelecto.
Queiram ser alguém. Honrem quem lutou. Não se lembrem da liberdade só quando não a têm.
11 de maio de 2009
Tetra-Campeões
24 de abril de 2009
23 de abril de 2009
Parabéns Viana!
Viana do Castelo assume-se como cidade anti-touradas. Um exemplo a seguir em Portugal.
Sou a favor da preservação das tradições e da exaltação do nosso País. Mas há tradições que não fazem qualquer sentido! O mundo evoluiu, EVOLUAM também!
Ou também são a favor dos autos-de-fé? Eram uma festa, uma tradição...
Sou a favor da preservação das tradições e da exaltação do nosso País. Mas há tradições que não fazem qualquer sentido! O mundo evoluiu, EVOLUAM também!
Ou também são a favor dos autos-de-fé? Eram uma festa, uma tradição...
22 de abril de 2009
I fear
Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
in Tabacaria, Álvaro de Campos
Pacific To Pacific - Outlandish
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
in Tabacaria, Álvaro de Campos
Pacific To Pacific - Outlandish
Acorda!
Não é preciso tanta inspiração. Nesta questão, o lema "tudo ou nada" não entra.
Se não queres entrar em acções radicais, não entres. Mas cumpre, pelo menos, o dever de qualquer cidadão. Respeita a Terra da melhor forma que conseguires.
Se todos o fizessem seria tudo tão melhor...
Muitos já o fazem. O lema "Mais um, menos um não faz diferença" também não faz sentido aqui.
Inspira-te. Nem que seja só um bocadinho.
Todo o Mundo agradece...
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